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3 de abril de 2012

Nostalgia futebolística #parte1





Me lembro de tudo o que aconteceu naquele domingo de 17 de julho de 1994. O dia amanheceu frio e ensolarado. Até hoje consigo sentir o cheiro da camisa azul número 11 que ganhei do meu pai após o jogo contra os Estados Unidos. Me lembro da casa cheia de gente e do churrasco na mesa, mas ninguém queria saber de carne naquela tarde. Nada, exceto a saliva, passava pelas nossas gargantas.

Jogo feio, truncado, com o Brasil tomando iniciativa dos ataques. Bebeto e Romário jogavam por música, mas Baresi e Maldini não davam espaço! Baggio mal tocava na bola. Meu Deus, como perdemos gols! Romário, Bebeto, Romário de novo... Mauro Silva chutou do meio da rua; Pagliuca bateu roupa; A bola tocou na trave e voltou nas mãos do arqueiro sortudo. Depois do susto, beijo no poste como forma de agradecimento. Final do tempo normal. Prorrogação com Brasil no ataque e um milagre de Taffarel. Viola entrou e botou fogo no jogo. Mas o gol insistia em não sair.

Decisão por pênaltis: Marcio Santos erra o primeiro e o país todo quase infarta. Menos mal que o grande Baresi também errou. Romário, Branco e Dunga (com direito a soco no ar) marcaram. Taffarel defende o chute de Massaro e, depois, Baggio manda a bola na Lua. É tetra!

Lembro-me que os carros entupiram as (DUAS) principais ruas de Paraibuna! Foi a única vez que vi tanto trânsito naquele lugar. As pessoas riam, gritavam, choravam, afinal, 24 anos de dor e angústia tiveram fim naquela fria tarde de domingo.

30 de março de 2012

O Circo da Dona Gorda


Todo início de ano é a mesma coisa no povoado imaginário de Ziriguidun: os tambores rufam, as cortinas se abrem e as luzes iluminam o picadeiro para o início de mais uma temporada de apresentações de seu Gran Circo.
Entra ano, sai ano e as ‘estrelas’ continuam sendo as mesmas: o fortão, a boa moça, a virgem, a barraqueira, aquela que adora fazer fofoca, o galã, o cara malvado, a gostosona, o negro coitadinho, o caipira engraçado...

Os números apresentados pelos ‘heróis’ também não costumam mudar. Romances tão verdadeiros quanto à ‘lataria’ da Ana Maria Braga, intrigas, baixaria e muitas bundas de fora fazem parte do script do espetáculo que, de forma genial, é apresentado por um grande filósofo/poeta/jornalista/semi-deus. No passado, esse cara cobriu um dos eventos mais importantes da história mundial, a queda do muro de Berlim. Hoje, é a estrela-mor de um show de horrores. Grande evolução!

Além de tudo isso, o que nunca se pode faltar em um circo que se preze? Não podem faltar os palhaços! Esses, no entanto, não são vistos no picadeiro. Não são porque a dona do ‘negócio’ considera que seus palhaços mereçam ficar em um lugar de destaque: a platéia.
Antes que qualquer pessoa se sinta ofendida com essas palavras, permitam-me expor os fatos.

Muita coisa que acontece no povoado imaginário de Ziriguidun é controlada pela dona do circo. Sim, é ela mesma, aquela senhora gorda que, há mais de quarenta anos, entra nas casas todos os dias dizendo o que fazer e como fazer. Enfiando goela abaixo das pessoas tudo o que ela acredita ser bom, usando seus palhaços em um emocionante show de marionetes.

Para que seus interesses prevaleçam, a senhora gorda desvia a atenção da platéia das questões sociais, políticas e econômicas através da técnica do dilúvio de informações insignificantes, como as do Gran Circo.

Assim, ela impede que o público se interesse pelos conhecimentos essenciais, os estimulando a serem complacentes na mediocridade. Além disso, a gorda enriquece milhões com as propagandas que, mais uma vez, são carinhosamente impostas aos seus fiéis.

De forma subjetiva, ela faz com que as pessoas acreditem que está na moda e é legal ser vulgar e burro. Afinal de contas, que graça teria um palhaço inteligente?
Por mais que os personagens sejam sempre os mesmos, que as lindas frases do pseudo-poeta estejam cada vez mais recicladas e que toda essa verdade esteja escancarada aos nossos olhos, as temporadas do Gran Circo BBB sempre serão sucesso garantido.

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